UH-15 & AH-15 Super Cougar EC725BR

História e desenvolvimento.
Na França, o desenvolvimento de helicópteros ganhou impulso  final da década de 1940, inicialmente sob a SNCASE e, posteriormente, pela Sud-Aviation, criada em 1957 a partir da fusão de diversas empresas estatais. Destacariam-se projetos, como o SE.313 e 318 Alouette II, primeiros helicópteros a turbina produzidos em série no mundo. No início da década de 1960, a França, sob a liderança do presidente Charles de Gaulle, adotou uma política de independência militar, desvinculando-se do comando integrado da OTAN. Essa decisão estratégica visava reforçar a soberania nacional, mas trouxe desafios significativos, especialmente devido à dependência de equipamentos militares norte-americanos, muitos dos quais já obsoletos. Para superar essa vulnerabilidade e alcançar maior autonomia, o governo francês priorizou o fortalecimento de sua indústria de defesa, destinando recursos substanciais ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. No setor de aviação de asas rotativas, a substituição de helicópteros como os Sikorsky H-19D, SH-34, S-58 e Vertol H-21, utilizados pela Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT), tornou-se uma necessidade urgente. Em 1963, o Ministério da Defesa emitiu ao fabricante especificações para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte, capaz de transportar até 20 soldados equipados, operar em condições climáticas adversas, dia ou noite, e atender a missões de transporte de tropas e cargas.  Esse projeto, que culminou na concepção do Alouette IV, representou um marco na busca por autossuficiência militar francesa, projeto este que futuramente seria renomeado como SA-330 Puma. As primeiras unidades operacionais foram entregues ao Exército Frances (l'Armée de Terre) em maio de 1969, consolidando sua posição como uma aeronave de transporte médio de asas rotativas confiável e versátil. As qualidades do SA-330 Puma, incluindo sua capacidade de carga, robustez e desempenho em diversas condições operacionais, atraíram atenção internacional ainda durante a fase de ensaios. A Força Aérea Real (RAF), em busca de uma nova aeronave de transporte médio, demonstrou interesse precoce pelo projeto. Esse interesse culminou em um acordo de cooperação assinado em 1970 entre a Société Nationale Industrielle Aérospatiale (SNIAS) e a  Westland Helicopters. Neste mesmo ano, como parte de uma política de  fortalecimento da indústria aeroespacial, o governo francês promoveu a criação da Aérospatiale, resultante da fusão da Sud-Aviation com a Nord Aviation e a SEREB. Passando a concentrar todo o desenvolvimento de helicópteros. Seu sucesso  no mercado internacional foi impulsionado por sua versatilidade e desempenho, levando a contratos de exportação com diversos países, incluindo Argentina, Líbano, Marrocos, Portugal, Paquistão, África do Sul e Brasil.  Antecipando as necessidades  foi iniciado, o desenvolvimento de um novo helicóptero de médio porte, baseado no SA-330. 

O  modelo em escala (mock-up) foi apresentado na edição de 1975 da Feira Aérea Internacional Paris Air Show, realizada em Le Bourget, França. Embora mantivesse semelhanças estruturais e conceituais com o Puma, introduzia inovações em áreas como aviônica, eficiência energética e capacidade de carga, visando atender às demandas de modernização das forças armadas globais. O novo helicóptero  foi equipado com dois motores turboeixo Turbomeca Makila 1A, fabricados pela  Turbomeca (atualmente Safran Helicopter Engines). Cada motor desenvolvia uma potência de 1.877 hp, proporcionando maior eficiência e desempenho em comparação com os motores Turbomeca Turmo IVC. Esses motores acionavam um rotor principal de quatro pás, construído em materiais compósitos de alta resistência, que ofereciam maior durabilidade e menor peso, além de maior resistência a danos causados por impactos ou detritos. A fuselagem do Super Puma foi ampliada e reforçada, projetada para suportar condições adversas, incluindo impactos leves e danos em combate. O primeiro protótipo, redesignado como AS-330, foi adaptado a partir de uma célula do SA-330, e realizou seu voo inaugural em 5 de setembro de 1977. Esse protótipo serviu como plataforma de ensaios em voo, permitindo validar as melhorias introduzidas no projeto, incluindo os novos motores, o rotor de materiais compósitos e os sistemas aviônicos aprimorados. Os resultados dos testes foram promissores, culminando no desenvolvimento do modelo final, denominado AS-332M Super Puma.  Seu protótipo alçou voo em 13 de setembro de 1978, marcando o início de uma nova fase de avaliações. Cinco aeronaves adicionais foram produzidas para testes operacionais, que abrangeram uma ampla gama de cenários, desde transporte de cargas pesadas até operações em condições climáticas extremas. Esses ensaios confirmaram o desempenho superior do AS-332, com maior manobrabilidade, eficiência no consumo de combustível e estabilidade em voo, superando seu antecessor em praticamente todos os aspectos. O sucesso dos testes levou à criação de duas versões principais do AS-332: a variante militar, designada AS-332B, e a variante civil, designada AS-332C. A Aviação Ligeira do Exército Francês (Aviation Légère de l'Armée de Terre – ALAT) foi o primeiro cliente militar, iniciando a incorporação das primeiras unidades do AS-332B em maio de 1980. Essas aeronaves substituíram gradualmente os SA-330 Puma, oferecendo maior capacidade de transporte de tropas e equipamentos, além de maior resistência em operações táticas. Paralelamente, a versão civil AS-332C foi finalizada e entrou no mercado em 1981, alcançando êxito comercial em setores como transporte aéreo offshore, operações de busca e salvamento e transporte de passageiros. A aeronave foi operada em pelo menos 12 países, atendendo a empresas de transporte aéreo e operadores especializados. 

Entre 1981 e 1987, manteve-se uma taxa média de produção de 03 células por mês, respondendo à crescente demanda, esta família seria exportada  para 38 nações, Brasil, China, Chile, Equador, Finlândia, Bolívia, França, Gabão, Geórgia, Grécia, Indonésia, Jordânia, Kuwait, Mali, Nigéria, Omã, Arábia Saudita, Singapura, Espanha, Suíça, Tailândia, Venezuela, Congo, Togo, Turcomenistão e Uzbequistão. Até o final da década de 1990, foram entregues 536 unidades. Em 1º de janeiro de 1992, seria oficialmente criada a Eurocopter, sendo resultante da fusão das divisões de helicópteros da empresa francesa Aérospatiale e da alemã Messerschmitt-Bölkow-Blohm.  Desde sua fundação,  foi concebida como uma empresa verdadeiramente europeia, com portfólio integrado e divisão clara de competências industriais entre os países parceiros. A fim de atender a evolução das demandas, a seria desenvolvida família AS-532 Cougar. Projetado para atender a requisitos militares modernos,  incorporava melhorias em aviônica, capacidade de carga, proteção e versatilidade, sendo amplamente utilizado em missões táticas, navais e de busca e salvamento em combate (CSAR). Destacava-se a fuselagem reforçada e preparada para impactos mais severos, assentos e piso com capacidade de absorção de energia em pousos forçados, proteção balística em áreas vitais (dependendo da configuração) e tanques de combustível auto-vedantes. Sua motorização seria atualizada para dois turbo jatos Turbomeca Makila 1A/1A1, oferecendo maior potência e melhor desempenho em ambientes quentes e de grande altitude, operando em conjunto com uma nova transmissão reforçada, capaz de operar temporariamente sem lubrificação. Em sua versão básica podia transportar até 25 soldados equipados ou 5.000 kg de carga útil, dispunha de blindagem reforçada, sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM), dispensadores de chaff/flare e resistência a impactos para operação em ambientes hostis. Adaptado para operar a partir de navios, também encontrou amplo emprego em operações navais e anfíbias, especialmente nas versões destinadas à guerra antissubmarino (ASW), apoio logístico embarcado e transporte de fuzileiros navais. Sua capacidade de operar em convoos relativamente restritos e sua resistência à corrosão marítima ampliaram seu valor estratégico para marinhas que necessitavam de um helicóptero médio multifunção. No contexto do pós-Guerra Fria, o Cougar tornou-se presença constante em operações de paz, missões da ONU e ações humanitárias, atuando no transporte de tropas, suprimentos, refugiados e equipes médicas. Nessas missões, sua confiabilidade e capacidade de operar em regiões remotas, com clima severo e infraestrutura precária, mostraram-se determinantes. Esta família ao longo do início do século 21 passaria a substituir a maioria das aeronaves militares das versões do  AS 332 Super Puma. 

A Eurocopter  passou a desenvolver um novo modelo baseado no AS532 a pedido da Força Aérea Francesa (Armée de l'Air), que necessitava de um vetor especializado em Combate-SAR (C-SAR). Os franceses haviam tentado empregar o Cougar entre 1996 e 1999, porém, a aeronave não se enquadrava nos requisitos  para a missão. A solução foi desenvolver uma aeronave com base na célula do Cougar Mk2 (AS532 U2/A2), que foi designada EC725, seu projeto seria norteado então pela necessidade de um helicóptero médio-pesado capaz de operar em ambientes de alta ameaça, com maior autonomia, capacidade de sobrevivência e flexibilidade de missão.  As experiências acumuladas em conflitos regionais, operações de paz, missões de resgate em combate e projeção de forças expedicionárias demonstraram que os helicópteros de transporte deveriam combinar robustez estrutural, elevada capacidade de carga e sofisticados sistemas de autoproteção. Nesse contexto, foi iniciado o desenvolvimento da aeronave profundamente aprimorada, ainda que baseada na célula consagrada do Super Puma. O novo modelo incorporou motores Turbomeca Makila 2A1, mais potentes e confiáveis, além de uma transmissão reforçada, capaz de manter voo por período limitado mesmo após perda de lubrificação um requisito crítico para operações em combate. A estrutura foi otimizada para suportar maiores pesos máximos de decolagem, ampliando significativamente sua capacidade de transporte interno e externo. Do ponto de vista operacional,  foi concebido desde a origem como um helicóptero multimissão, apto a desempenhar transporte tático de tropas, infiltração e exfiltração de forças especiais, evacuação aeromédica, busca e salvamento em combate, apoio logístico e operações navais. Sua cabine ampla permite o transporte de até 28 militares equipados ou múltiplas macas em configuração de evacuação médica, enquanto o gancho de carga externa amplia sua utilidade em ambientes de difícil acesso. Um dos principais avanços em relação aos seus predecessores reside nos sistemas de autoproteção e consciência situacional. O helicóptero pode ser equipado com receptores de alerta radar, sensores de alerta de mísseis, detectores de aproximação a laser e dispensadores de contramedidas, além de blindagem localizada para proteção da tripulação e de componentes vitais. Esses recursos refletem a crescente preocupação com a sobrevivência da aeronave em teatros caracterizados por armas portáteis antiaéreas e ameaças irregulares. Possuía sua fuselagem 50 cm maior do que a do AS532UL Mk1, um novo motor e uma nova aviônica.  O primeiro protótipo alçaria voo em  dia 27 de novembro de 2000,  apresentando excelentes expectativas. Os resultados obtidos  levaram o comando francês a encomendar 06 células de pré-produção para emprego em um extenso programa de avaliação operacional, cujas entregas tiveram início em fevereiro de 2005. 
Após a conclusão bem-sucedida da campanha de testes foi selecionado para equipar as unidades de Busca e Salvamento em Combate (CSAR) francesas, tornando-se rapidamente o principal vetor dessa missão. Pouco tempo depois, seria celebrado um segundo contrato  com a Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT), entrando  em serviço operacional em 2005. Foi concebido desde sua origem para executar missões de elevada complexidade, especialmente aquelas relacionadas à Busca e Salvamento em Combate (CSAR), evacuação aeromédica (MEDEVAC), infiltração e exfiltração de forças especiais e apoio a operações expedicionárias. Sua estreia em combate ocorreu em um dos ambientes mais desafiadores do início do século XXI, o teatro de operações do Afeganistão. A partir de 2006, com o aumento da participação francesa na Força Internacional de Assistência para Segurança,  passaram a operar regularmente em uma região caracterizada por relevo montanhoso extremo, elevadas altitudes, altas temperaturas e permanente ameaça representada por armas leves, metralhadoras pesadas e lançadores de foguetes. A capacidade de transportar tropas, evacuar feridos e realizar operações de resgate em áreas hostis revelou-se fundamental para o sucesso das missões. Durante sua atuação no Afeganistão,  executaram missões reais de Busca e Salvamento em Combate (CSAR) e evacuação aeromédica (MEDEVAC), realizando a extração de militares feridos sob fogo inimigo, o transporte de tropas em áreas de elevado risco e o apoio a operações especiais. Frequentemente operavam em zonas de pouso não preparadas, situadas em vales estreitos e regiões montanhosas de difícil acesso. As aeronaves também realizaram extensos voos noturnos utilizando óculos de visão noturna (NVG), além de operarem sob constante ameaça de armamentos portáteis e foguetes anticarro RPG, circunstâncias que exigiam o emprego de sofisticados sistemas de autoproteção, contramedidas eletrônicas e manobras evasivas. No ambiente naval, demonstrou versatilidade, comprovando plena capacidade de operar a partir de navios de superfície. Essa característica permitiu sua adaptação para missões de apoio às forças navais, transporte de fuzileiros, operações anfíbias, busca e salvamento  (SAR) e missões de apoio logístico, beneficiando-se de sua elevada autonomia, robustez estrutural e avançados sistemas de navegação. A Eurocopter conquistaria contratos de exportação para o México, Indonésia, Tailândia,  Kuwait, Hungria,  Malásia, Peru, Singapura,  Emirados Árabes Unidos e Brasil. Em razão de suas qualidades operacionais e da crescente reputação internacional,  continuaria a participar de importantes processos de seleção. Em 2013, o modelo foi apresentado na concorrência Naval Multi-Role Helicopter (NMRH) da Marinha Indiana, destinada à aquisição de helicópteros multimissão.

Emprego na Marinha do Brasil.
A introdução dos helicópteros de médio  porte  no ano de 1981 representou um avanço para a aviação militar brasileira, sendo marcado pelo recebimento de 06 células do Aérospatiale SA 330L Puma, designados CH-33 na Força Aérea Brasileira (FAB). Seu excelente desempenho levou a elaboração de um planejamento para a aquisição de até 54 unidades aeronaves, destinadas  a substituir os Bell UH-1D/H, contudo a crise econômica e as restrições orçamentárias impediram a concretização do programa. Paralelamente, a Marinha do Brasil buscou ampliar sua capacidade de transporte aeromóvel em apoio às operações da Força de Fuzileiros da Esquadra (FEE). Em atendimento a esta demanda em 1985,  seriam incorporados 06 helicópteros  Aérospatiale AS332F1 Super Puma, representando a primeira  operadora mundial da variante naval do Super Puma, equipada com modificações específicas para operações embarcadas, incluindo proteção anticorrosiva, sistemas de navegação, comunicações e recursos para operação em convoos. A capacidade de dobragem das pás do rotor facilitava o armazenamento dos Super Puma a bordo. Contudo, suas dimensões ainda excediam os limites dos elevadores do NAeL A11 Minas Gerais, levando o fabricante a desenvolver uma solução específica, um cone de cauda dobrável, que permitia adequar a aeronave às restrições de espaço do navio. Para sua operação seria criado em 18 de setembro daquele ano, do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2), que seria responsável pela operação dos novos vetores. Passariam a atuar em estreita integração com Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), apoiando operações anfíbias, transporte de tropas, evacuação médica e logística. Seria responsáveis ainda por liberar os SH-3 Sea King para concentrar-se nas missões de guerra antissubmarino (ASW) e antissuperfície (ASM). Ao longo dos anos, estes helicópteros  ampliaram significativamente a capacidade de transporte das Forças Armadas. Contudo, o intenso emprego e a operação descentralizada de diferentes versões fizeram surgir, no início dos anos 2000, problemas de manutenção, logística e dependência externa, comprometendo a eficiência e a prontidão operacional. Diante desse cenário, ganhou força a criação de um programa unificado que combinasse eficiência operacional e racionalização administrativa. Nesse contexto, surgiu o Programa H-XBR (Helicópteros de Transporte BR), estruturado sobre três pilares fundamentais.  Padronização, para ampliar a interoperabilidade e simplificar a logística; capacidade operacional, por meio de um helicóptero multimissão apto a atuar em diferentes ambientes e cumprir diversas tarefas; e fortalecimento da indústria nacional, considerado o aspecto mais estratégico e transformador do projeto. Diferentemente de aquisições anteriores, este programa foi concebido desde o início como um programa de transferência efetiva de tecnologia (Transfer of Technology – ToT). 

A decisão de associar a compra das aeronaves à sua produção e montagem em território brasileiro refletiu a compreensão de que a autonomia operacional só seria sustentada, quando acompanhada da capacidade nacional de manter, modernizar e evoluir os próprios meios. Nesse sentido, a participação da Helibras S/A, não foi tratada como uma consequência acessória da escolha de um vetor de origem europeia, mas como um objetivo central  do programa.  O modelo selecionado foi o Eurocopter EC725 Caracal, posteriormente designado pelo fabricante como H225M, envolvendo uma aquisição de 18 helicópteros para a Força Aérea Brasileira (FAB), 16 para  Marinha do Brasil e  16 para o Exército. Brasileiro.  A formalização do programa ocorreu em 23 de dezembro de 2008, com a assinatura de um contrato avaliado em aproximadamente 1,87 bilhão de euros. Um dos aspectos mais relevantes do acordo foi a previsão de compensações industriais (offsets) equivalentes à totalidade do valor contratado para este programa. Entre as cláusulas de maior relevância destacava-se a determinação de que, a partir da décima sétima aeronave, os helicópteros passariam a ser montados pela Helibras S/A. O Programa HXBR iniciou sua implantação com a estruturação da infraestrutura industrial brasileira, capacitação de pessoal e preparação dos processos de produção, manutenção e suporte logístico. A aeronave recebeu diferentes denominações na Força Aérea H-36 Caracal, HM-4 Jaguar no Exército e UH-15 Super Cougar na Marinha com adaptações específicas às necessidades individuais. As primeiras aeronaves foram concluídas em e 2010, quando também começaram os voos de aceitação. O primeiro H-36, realizou os ensaios iniciais naquele ano sendo posteriormente destinado ao 1º/8º GAV – Esquadrão Falcão, em Belém (PA). O processo de incorporação prosseguiu rapidamente. Em 13 de junho de 2011, a Aviação Naval recebeu mais 02 aeronaves UH-15, identificadas como N-7103 e N-7106. Esta última teve particular importância para o programa, pois foi a primeira aeronave do modelo a completar todas as etapas de montagem localmente, constituindo um marco no processo de nacionalização associado ao programa H-XBR. Essa adaptação ficou evidente nas atividades de qualificação realizadas posteriormente junto aos navios da Esquadra Brasileira.  Em 2017, por exemplo, já participava de exercícios com navios como o Navio Auxiliar Pará e o Rebocador de Alto-Mar Almirante Guilhem, contribuindo para a qualificação das equipes responsáveis pelas operações aéreas embarcadas. Em sua configuração básica, o UH-15 Super Cougar foi concebido como helicóptero multimissão.  Seria atribuído ao modelo tarefas que incluem operações especiais, operações terrestres de caráter naval, busca e salvamento, evacuação aeromédica, transporte aéreo logístico, combate a incêndios e apoio humanitário. 
A aeronave também passou a participar regularmente de grandes exercícios da Esquadra, como UNITAS, Dragão e Poseidon. Sua capacidade de operar a grande distância da costa tornou-se especialmente relevante para a atividade de Busca e Salvamento (SAR). O modelo pode afastar-se aproximadamente 150 milhas náuticas (277 km) de terra sobre o mar, além de possuir sistemas de navegação adequados para operações em condições meteorológicas de voo por instrumentos.  A capacidade também se mostrou útil no apoio às unidades do Corpo Fuzileiros Navais (CFN), especialmente em operações que exigem o deslocamento rápido de tropas e equipamentos. Pode executar desembarque em voo pairado, fast rope, rappel, lançamento de paraquedistas e outras técnicas empregadas no transporte e inserção de tropa. Em 2017, um UH-15 foi deslocado para Belém para apoiar atividades do Comando do 4º Distrito Naval e realizar levantamentos operacionais relacionados à futura criação de uma unidade de helicópteros na região. Esse processo culminou, em 2019, com a ativação do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte-41 (EsqdHU-41), em Belém, recebendo 03 aeronaves Super Cougar. No Sul do Brasil, a aeronave também passou a desempenhar um papel relevante na ampliação da capacidade operacional. Em março de 2022, teve seu controle operativo transferido para o 5º Distrito Naval, permanecendo baseado em Rio Grande (RS). A medida permitiu ampliar a presença de uma aeronave de grande porte naquela área de responsabilidade, reforçando as capacidades de Busca e Salvamento (SAR), transporte logístico e apoio às diversas atividades operacionais desenvolvidas pela Marinha do Brasil naquela região. A experiência acumulada com a operação dos primeiros Super Cougar contribuiu, por sua vez, para ampliar progressivamente o espectro de emprego da família. Enquanto o UH-15 foi concebido prioritariamente para missões de transporte, apoio logístico, operações anfíbias e Busca e Salvamento, a variante UH-15A incorporou recursos direcionados a tarefas mais complexas, incluindo missões SAR, Combate-SAR (C-SAR), operações anfíbias e apoio a operações especiais. O passo seguinte representou uma mudança ainda mais significativa no programa. Avançou-se no desenvolvimento do AH-15B, concebido como uma variante armada  destinada a ampliar a capacidade de combate e de guerra naval. Entre os recursos previstos para a aeronave estava a capacidade de emprego de até 02 mísseis antinavio MBDA Exocet, transportados externamente, transformando este helicóptero em uma plataforma capaz de atuar não apenas na vigilância maritima, mas também na identificação, acompanhamento e engajamento de alvos de superfície. O desenvolvimento exigiu, entretanto, uma profunda integração entre sensores, sistemas de missão, comunicações e armamentos. 

Nesse processo, um dos elementos centrais foi o Naval Tactical Data Management System (N-TDMS), concebido para atuar como o núcleo de gerenciamento e integração dos diferentes sistemas embarcados. Seu desenvolvimento envolveu a participação da Helibras, Atech e Airbus Defence and Space, reunindo competências em torno da transformação  em uma plataforma de combate adequada. Entre os principais sensores incorporados ao projeto estava o radar tático Telephonics AN/APS-143, destinado a proporcionar à aeronave uma capacidade ampliada de vigilância marítima. O equipamento permitia detectar e acompanhar contatos de superfície a distâncias superiores às normalmente obtidas exclusivamente por meio de sensores eletro-ópticos. Dessa forma, o radar assumia papel fundamental na busca e na formação inicial da situação tática, especialmente em operações realizadas sobre extensas áreas marítimas. A capacidade de vigilância seria complementada pelo sistema FLIR Star Safire III, que reunia sensores eletro-ópticos e infravermelhos. Sua presença ampliava consideravelmente a capacidade da tripulação de identificar e avaliar os contatos detectados pelo radar. Enquanto o sensor radar fornecia a detecção e o acompanhamento do alvo, o sistema eletro-óptico permitia uma observação mais detalhada, inclusive durante operações noturnas e em condições de reduzida luminosidade. A integração entre radar e sensores eletro-ópticos ampliou significativamente a capacidade de vigilância marítima, permitindo não apenas detectar e acompanhar embarcações, mas também identificá-las visualmente e avaliar com maior precisão cada contato. O conjunto de sensores ampliou o emprego em vigilância, reconhecimento, identificação e acompanhamento de embarcações. Com isso, o helicóptero passou a atuar como uma plataforma multifuncional de gerenciamento do espaço marítimo, integrando diferentes informações para apoiar a tomada de decisão. A sobrevivência  em um ambiente de combate  recebeu atenção especial, sendo  equipado com o sistema de guerra eletrônica e autoproteção IDAS-3, complementado por lançadores de Chaff & Flare. Esses recursos tinham como objetivo aumentar a capacidade de autoproteção o diante de ameaças guiadas por radar ou por sensores infravermelhos, aspecto relevante para uma aeronave destinada a operar em ambiente marítimo e potencialmente exposta a sistemas de defesa de superfície. Outro elemento importante do desenvolvimento foi a criação de uma estação dedicada ao Tactical Coordinating Officer (TCO). Recebeu um console específico destinado ao operador responsável pelo gerenciamento tático da missão. A estação integrava as informações dos sensores, proporcionando uma visão mais completa do cenário operacional. Com isso, as funções eram melhor distribuídas entre a tripulação, permitindo aos pilotos concentrar-se na condução, enquanto o operador tático gerenciava os sensores e a situação da missão.
A integração do míssil AM39 Exocet B2M2 a aeronave,  foi provavelmente o ponto mais complexo de todo o desenvolvimento. O objetivo era permitir que este helicóptero, originalmente concebido para  transporte e emprego geral, pudesse atuar eficazmente  como plataforma de lançamento de misseis antinavios. Este programa envolveu um processo estruturado em etapas, envolvendo o lançamento do armamento; alimentação e comunicação entre míssil e aeronave; gerenciamento das informações de tiro; interface com o sistema de missão; procedimentos de segurança; procedimentos de emergência; testes de voo; e certificação da capacidade de lançamento. Antes dos ensaios, integrantes da Divisão de Armamento do Esquadrão HU-2 receberam treinamento específico da MBDA para os procedimentos relacionados ao  míssil AM39 Exocet B2M2 A incorporação do primeiro AH-15B N-4101, em 19 de novembro de 2021, marcou uma mudança qualitativa na capacidade de combate da Aviação Naval. Um dos momentos mais importantes ocorreu em junho de durante a Operação Missilex 2021, quando foi realizada a campanha de certificação para o lançamento do míssil AM39 B2M2. No dia 23 foi realizado o primeiro disparo, no  envelope de altura máxima e velocidade mínima de emprego, tendo como alvo  um “Jerimum Assassino”. No dia seguinte foi realizado o segundo lançamento do  armamento, mas desta vez o envelope na altura mínima e velocidade máxima de  emprego, e como alvo o casco da ex-Corveta V31 Jaceguai. Cabe destacar que os lançamentos foram concluídos com sucesso, cumprindo assim mais uma importante  etapa do processo de certificação da aeronave para projeto H-XBR, devolvendo a Aviaçao Naval uma capacidade perdidas com a desativação dos ASH-3H Sea King.  A aeronave foi destinada ao 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2), sediado no Complexo Aeronaval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, que em conjunto com outras 3 aeronaves seriam destinadas principalmente a guerra antissuperfície, ou ASuW (Anti-Surface Warfare). Assim, o desenvolvimento do AH-15B criou para a Aviação Naval uma aeronave capaz de executar o ciclo completo de esclarecimento, identificação, acompanhamento e ataque de alvos de superfície, elevando substancialmente a capacidade de defesa da Amazônia Azul. Desde o inicio de suas atividades, tem apresentado participação destacada, principalmente em exercícios operacionais como ADEREX, Aspirantex, Poseidon, Tropicalex e ATLAS.  O Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico” A-140é atualmente a principal plataforma da Esquadra para o emprego embarcado do AH-15B, Mas há uma distinção importante, o AH-15B não fica permanentemente embarcado em um determinado navio, ocorrendo frequentes registros de emprego embarcado no Navio-Doca Multipropósito “Bahia” G-40 e no Navio de Desembarque de Carros de Combate “Almirante Saboia” (G-25).

Em Escala.
Para representar o AH-15B Super Cougar  "MB 4103" fizemos uso do excelente modelo na escala 1/48 impresso em 3D pela PQD 3D Print. Como a aeronave foi produzida sob encomenda não é necessário proceder nenhuma alteração para se representar fielmente a aeronave. No entanto optamos por detalhar, abrindo as janelas e construindo o interior em scratch. Fizemos uso de adesivos/decais confeccionados pelo próprio fabricante presentes em conjunto com itens de diversos sets da FCM Decais.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o  padrão de pintura em cinza fosco aplicado a todas as  aeronaves UH-15 e AH-15 Super Cougar empregadas pela Aviação Naval da Marinha do Brasil.   Para a aplicação do esquema de pintura tático, foram empregadas tintas e vernizes de alta qualidade produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia :
- Aviação Naval Brasileira - Professor Rudnei Dias da Cunha  http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- HU-2 O Esquadrão Pegasus da Marinha - Jackson Flores Jr - Revista Força Aérea Nº 5
- Eurocoppter EC725 Caracalc - http://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_Fennec 
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
-  Programa HXBR - Ministério da Defesa