L-4H-PI Piper Grasshoper

História e Desenvolvimento.
A Taylor Brothers Aircraft Manufacturing Company figura entre as pioneiras da indústria aeronáutica norte-americana voltada à aviação leve. A empresa foi fundada em setembro de 1927, na cidade de Rochester, pelos irmãos Clarence Gilbert e Gordon A. Taylor. Em um período marcado pelo rápido  interesse  pela aviação, os fundadores adotaram o slogan “Buy Your Airplane Taylor Made”, refletindo a ambição de oferecer aeronaves leves, simples e economicamente acessíveis para um mercado ainda em formação. A iniciativa dos irmãos Taylor inseria-se em um contexto histórico particularmente dinâmico para a aviação. Nas décadas que se seguiram ao histórico dos irmãos Wright , protagonizado por Wilbur e Orville em 1903, os Estados Unidos testemunharam um acelerado desenvolvimento tecnológico e industrial no setor aeronáutico. Esse ambiente estimulou o surgimento de diversas pequenas empresas dedicadas à produção de aeronaves destinadas ao mercado da aviação que buscava tornar o voo uma atividade acessível a proprietários privados e pilotos esportivos. Clarence Taylor, engenheiro aeronáutico autodidata e responsável pelo desenvolvimento técnico dos projetos, uniu esforços com seu irmão Gordon, que atuava principalmente na condução administrativa e comercial da empresa. Ambos compartilhavam a convicção de que o futuro da aviação passaria pela popularização do avião pessoal  uma visão que influenciaria profundamente o desenvolvimento posterior da aviação leve nos Estados Unidos. O primeiro projeto da empresa foi o Taylor Chummy, um monoplano de asa alta com dois assentos, concebido para ser simples de operar e relativamente econômico. Apesar de suas qualidades técnicas, o modelo foi lançado no mercado com preço aproximado de US$ 4.000, valor considerado elevado para o público da época. Essa dificuldade comercial tornou-se ainda mais significativa com o advento da crise econômica que culminaria na Grande Depressão, que reduziu drasticamente a capacidade de investimento de potenciais compradores. A empresa também seria marcada por uma tragédia precoce. Em 24 de abril de 1928, Gordon A. Taylor perdeu a vida em um acidente durante um voo de demonstração do Chummy no Ford Airport, em Dearborn, quando a aeronave caiu enquanto transportava um agente de vendas. O episódio representou um duro golpe para a companhia, que ainda se encontrava em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Apesar da perda pessoal e das dificuldades financeiras, Clarence Taylor decidiu prosseguir impulsionado por sua profunda dedicação à aviação. Em busca de  condições de financiamento e infraestrutura , ele transferiu a empresa, para a cidade de Bradford. A mudança foi motivada por uma proposta de investidores locais interessados em diversificar a economia regional, naquele momento fortemente dependente da indústria petrolífera. 

Nessa nova planta seria desenvolvido o E-2 Cub, um monoplano biplace que representava uma evolução conceitual em relação ao Chummy. Estava equipado com um motor Brownback Tiger Kitten de 20 hp, posteriormente substituído peloContinental A-40. Embora  apresentasse avanços importantes em termos de simplicidade construtiva e economia operacional, as vendas permaneceram limitadas, sobretudo em virtude da profunda crise econômica naquele período. Como resultado, a empresa acabou entrando em processo de falência em 1930. A continuidade do projeto aeronáutico dos irmãos Taylor somente se tornaria possível graças à intervenção do empresário petrolífero William T. Piper, um dos investidores da companhia. Neste mesmo seus ativos foram adquiridos  pela modesta quantia de US$ 761, promovendo uma reorganização com a empresa renomeada como Taylor Aircraft Company, mantendo Clarence Taylor como  presidente e responsável técnico pelos projetos. Neste momento seria dado continuidade ao desenvolvimento do conceitual do E-2 Cub, levando a criação do Taylor J-2 Cub. A aeronave se destacou-se pela notável simplicidade de construção, baixo custo de aquisição e elevada confiabilidade operacional. Sua produção teve inicio em 1931, graças à sua proposta de aeronave econômica e de fácil pilotagem,  alcançou ampla aceitação, atingindo a expressiva marca de mais de 4.000 unidades produzidas ao longo dos anos seguintes. A trajetória da empresa, sob a liderança de Taylor, foi marcada por desafios e inovações que culminaram na criação de um dos ícones da aviação geral.  No entanto, divergências entre os sócios, levaram à saída de Clarence em 1935. Assim Willian Piper assumiu o controle total da empresa, que foi reorganizada e renomeada como Piper Aircraft Corporation em 1937. Esse evento marcou o início de uma nova fase, que rapidamente se consolidou como uma referência na produção de aeronaves leves para treinamento e transporte. Sob sua liderança foi lançado seu primeiro grande sucesso comercial, o Piper J-2 Cub. Introduzido em 1935, suas variantes J-2E, J-2F, J-2G e J-2H  conquistaram o mercado, totalizando, até 1938, a impressionante marca de 1.200 aeronaves entregues. Seu sucesso foi impulsionado por sua robustez e baixo custo, características que o tornaram ideal para escolas de aviação e proprietários privados em um período de recuperação econômica após a Grande Depressão. Em 1937, seria lançado o J-3 Cub, uma versão aprimorada que se tornaria um ícone da aviação. Equipado com um motor de 50 hp, mais potente que o do J-2, mantinha a mesma filosofia de design: simplicidade, durabilidade e acessibilidade. Com um preço de venda de apenas US$ 1.000, oferecia uma relação custo-benefício imbatível, permitindo sua operação em aeródromos com infraestrutura mínima e custos operacionais reduzidos. Essas qualidades fizeram do J-3 um sucesso imediato.

Inicialmente, a Piper exportava suas aeronaves em kits para montagem nos países de destino, uma estratégia que reduzia custos logísticos e atendia às necessidades locais. Com o tempo, a empresa começou a negociar acordos de licença para produção local, permitindo a incorporação de componentes fabricados nos países compradores. À medida que a década de 1930 chegava ao fim, as tensões geopolíticas intensificavam-se, prenunciando um novo conflito de grandes proporções. Na Europa, os anseios expansionistas da Alemanha, e no Pacífico Central, as ambições imperialistas do Japão, sinalizavam a iminência de um novo conflito. Esse cenário de crescente instabilidade levou o governo dos Estados Unidos a iniciar um amplo programa de rearmamento, mobilizando setores estratégicos da indústria para atender às demandas de defesa. Entre as empresas envolvidas, a Piper Aircraft Corporation, desempenhou um papel crucial, fornecendo componentes para diversos equipamentos e sistemas de defesa, além de adaptar sua produção para atender às necessidades militares. Nesse contexto, a urgência de formar pilotos qualificados para o exército e marinha tornou-se uma prioridade estratégica. Para suprir essa demanda, foi instituído o Programa Civil de Treinamento de Pilotos (Civilian Pilot Training Program – CPTP), em 1939, com o objetivo de preparar rapidamente um grande número de aviadores para as forças armadas. Na fase de instrução primária, o governo optou por utilizar o Piper J-3 Cub, equipado com o motor Lycoming O-145-B1 de 65 hp, devido à sua simplicidade, robustez e baixo custo operacional. Essas características, aliadas a um preço de aquisição acessível, tornaram o J-3 ideal para o treinamento inicial de pilotos, permitindo sua operação em aeródromos com infraestrutura limitada. Até o encerramento do programa, em 1944, foram formados mais de 400.000 pilotos militares, muitos dos quais desempenharam papéis cruciais em operações aéreas durante a guerra. Paralelamente, o Piper J-3 Cub atraiu a atenção do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), que buscava uma aeronave leve e versátil para missões de ligação, observação no campo de batalha e vigilância de fronteiras. Designado como L-4  nas versões militares, foi amplamente utilizado em diversas funções, incluindo reconhecimento aéreo, evacuação médica, transporte de suprimentos e até ajustes de artilharia. Sua capacidade de operar em pistas curtas e improvisadas, combinada com sua confiabilidade, tornou-o indispensável em teatros de operações variados, desde os campos da Europa até as selvas do Pacífico. Nesse contexto, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) lançou uma concorrência para adquirir uma aeronave leve destinada a missões de observação, ligação e vigilância. Diversas empresas apresentariam propostas, com o projeto do J-3-O59, uma variante militarizada do consagrado J-3 Cub, configurada para cumprir funções de observação e ligação. 

Do ponto de vista estrutural e mecânico,  mantinha praticamente as mesmas características da versão civil, preservando a simplicidade construtiva e a confiabilidade que haviam consagrado o Cub no mercado. Entretanto, a versão militar incorporava algumas modificações importantes destinadas a ampliar sua utilidade operacional. Entre essas adaptações destacavam-se a instalação de uma claraboia de plexiglas em formato de estufa e a ampliação das janelas traseiras da cabine, soluções projetadas para melhorar significativamente o campo de visão do piloto e do observador durante missões de reconhecimento e coordenação tática. Após a avaliação comparativa de diferentes propostas apresentadas ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), o projeto da Piper revelou-se particularmente adequado às exigências militares, sobretudo em razão de sua simplicidade, baixo custo e capacidade de operar a partir de pistas curtas ou improvisadas. Como resultado, foi firmado um contrato inicial para o fornecimento de 04 aeronaves da versão  J-3C-65 Cub, designadas militarmente como YO-59. A boa avaliação operacional dessas levou à formalização de um novo pedido em novembro de 1941, desta vez contemplando 40 aeronaves adicionais. Esse lote já incorporava melhorias específicas,  recebendo a designação L-4-PI. Entre as alterações introduzidas destacavam-se a instalação de painéis transparentes na seção central da asa ampliando ainda mais a visibilidade para observação vertical  e a adoção de equipamentos de rádio que permitiam comunicação direta com unidades terrestres. As primeiras aeronaves operacionais receberam inicialmente a designação O-59, sendo a letra “O” uma referência direta à função de observação.  Nessas missões, era comum a presença de um observador a bordo, equipado com rádio, cuja função consistia em coordenar o ajuste de tiro da artilharia, transmitindo em tempo real informações sobre a posição e os efeitos dos disparos às unidades posicionadas em solo. Esse tipo de operação revelou-se fundamental para aumentar a precisão do apoio de fogo indireto no campo de batalha. Antes mesmo da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra, em dezembro de 1941, o pequeno Cub já havia adquirido também um valor simbólico em iniciativas de apoio internacional. Naquele mesmo ano, a Piper participou de um programa de arrecadação de fundos destinado a auxiliar o RAF Benevolent Fund, entidade beneficente vinculada à Força Aérea Real (RAF) Como parte da campanha, um exemplar especial do J-3 foi batizado de Flitfire, recebendo pintura e insígnias semelhantes às utilizadas pelos caças britânicos da época. A aeronave foi doada por William T. Piper, em parceria com a Franklin Motor Company, para ser sorteada em benefício do fundo. A iniciativa inspirou distribuidores da marca em todo o país, que passaram a doar aeronaves, totalizando 48 unidades destinadas à campanha. No plano internacional, o primeiro cliente  militar  foi o governo do México.

A partir de abril de 1942, em consonância com a nova padronização de designações, o modelo passou a ser oficialmente redesignado como L-4, sendo a letra “L” indicativa de sua função principal como aeronave de ligaçao. Nesse período, recebeu o apelido oficial de Grasshopper (“Gafanhoto”), uma referência direta à sua notável capacidade de decolar e pousar em espaços extremamente curtos. O  pequeno avião não passou despercebido à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que, em 1942, firmou um contrato para a aquisição de 250 unidades destinadas principalmente a missões de treinamento e ligação, recebendo as designações de NE-1 e NE-2. Durante a invasão aliada da França, em junho de 1944, os L-4  consolidaram sua reputação como plataformas ideais para observação no campo de batalha. Sua baixa velocidade de cruzeiro e alta manobrabilidade permitiam orbitar extensas áreas, detectando veículos blindados alemães ocultos em florestas ou terrenos acidentados. Equipados com sistemas de rádio operados por um segundo tripulante, que também atuava como observador, transmitiam informações em tempo real. Em uma adaptação notável, algumas unidades foram equipadas com prateleiras para transportar bazucas, operando em duplas ou quartetos para abastecer tropas de infantaria na linha de frente, permitindo ataques diretos contra tanques alemães. O mais célebre desses L-4 adaptados foi o Rosie The Rocketeer, pilotado pelo Major Charles “Bazooka Charlie” Carpenter. Durante a Batalha de Arracourt, em setembro de 1944, no interior da França, Carpenter e seu Grasshopper foram creditados pela destruição de 06 tanques inimigos e vários carros blindados.  Encerrada apenas em 1947, a linha de produção entregou um total de 19.888 unidades, um feito impressionante que demonstra a escala e a eficiência da indústria aeronáutica americana durante o conflito. Nos momentos mais críticos da guerra, a Piper alcançou uma cadência extraordinária, produzindo uma aeronave a cada 20 minutos, um testemunho da mobilização industrial e da engenhosidade que caracterizaram o esforço de guerra. Durante a Guerra da Coreia (1950–1953), a Força Aérea da Coreia do Sul (Daehanminguk Gong-gun) operou os L-4, aproveitando sua versatilidade para apoiar operações táticas. Centenas de L-4 foram classificados como excedentes de guerra e transferidos para nações aliadas. A França empregou essas aeronaves durante a Guerra da Argélia (1954–1962), em missões de observação e ligação, enquanto a Tailândia integrou os L-4 para vigilância e transporte leve. Até o final da década de 1960, milhares de J-3 Cub permaneciam em serviço, utilizados para treinamento, voos recreativos e tarefas utilitárias. Até hoje, em 2025, centenas de Piper Cubs continuam em condições de voo, preservados por entusiastas e colecionadores.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
No início da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos temiam uma possível invasão do continente americano pelas forças do Eixo. Após a queda da França, a Alemanha poderia utilizar bases estratégicas na África e em outras regiões para apoiar uma ofensiva contra a América. Nesse cenário, o Brasil ganhou importância estratégica devido à sua proximidade com a África e às suas reservas de látex, tornando-se um importante fornecedor de borracha natural para os Aliados, essencial à indústria militar. A localização do litoral brasileiro, especialmente de Recife, era estratégica por facilitar a ligação entre a América e a África. Por isso, a região poderia servir como base para o transporte de tropas, suprimentos e aeronaves. Nesse contexto, Brasil e Estados Unidos aproximaram-se política, económica e militarmente, estabelecendo investimentos e acordos de cooperação. O Brasil aderiu ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) criado para modernizar as Forças Armadas. O acordo concedeu cerca de US$ 100 milhões em crédito para a compra de equipamentos militares. Esses recursos revelaram-se fundamentais para que o Brasil pudesse enfrentar as crescentes ameaças representadas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação mercante no Atlântico Sul. Esses ataques impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte contínuo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria de guerra norte-americana. Com o agravamento da situação internacional, a participação brasileira no esforço de guerra aliado passaria a se ampliar gradualmente,  e logo o país não se limitaria apenas ao fornecimento de recursos estratégicos, sinalizando a possibilidade de uma participação mais ativa no conflito. O Brasil recebeu, por meio desse programa de cooperação militar, uma expressiva quantidade de equipamentos bélicos, incluindo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, navios e diversos tipos de armamentos. Posteriormente, conforme previsto nos acordos firmados com os Aliados, o Brasil ampliaria gradualmente sua participação no esforço de guerra. Esse compromisso seria formalizado em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada no boletim reservado de 13 de agosto do mesmo ano, que estabeleceu oficialmente a estrutura da Força Expedicionária Brasileira (FEB). A missão atribuída ao Exército Brasileiro consistia em participar diretamente das operações de combate no teatro europeu. Para o comando foi designado o General-de-Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes, que lideraria uma força composta por três regimentos de infantaria  o 6º Regimento de Infantaria (Caçapava), o 1º Regimento de Infantaria e o 11º Regimento de Infantaria  além de quatro grupos de artilharia, sendo três equipados com peças de 105 mm e um com peças de 155 mm. A estrutura da divisão incluía ainda um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de transmissões responsável pelas comunicações.

A participação na Campanha da Itália não se limitou às unidades terrestres e ao 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB). Um terceiro componente, desempenharia uma função de extraordinária importância para as operações terrestres: a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). Criada oficialmente em 20 de julho de 1944, foi organizada especificamente para proporcionar apoio aéreo às operações da  Força Expedicionária Brasileira (FEB). Sua estrutura reunia militares  Aeronáutica e do Exército Brasileiro, particularmente observadores ligados à Artilharia Divisionária. A unidade contava com pilotos, mecânicos, pessoal de rádio e apoio terrestre, enquanto os observadores do Exército desempenhavam papel fundamental na identificação de alvos e na condução do tiro de artilharia. A escolha do Piper L-4H não ocorreu por suas características de desempenho, mas justamente por aquilo que o tornava extremamente adequado à missão. Curiosamente, o primeiro exemplar do tipo a ser recebido no Brasil em 1943, foi o segundo protótipo da aeronave, sendo destinado a Escola Técnica de Aviação (ETAv) para instrução em solo.  Entretanto, os futuros integrantes da 1ª ELO não tiveram inicialmente acesso às aeronaves que utilizariam na Itália. O treinamento específico para as missões de observação e regulagem de tiro foi realizado em cooperação com oficiais do Exército Brasileiro, no estande de tiro de Gericinó, no Rio de Janeiro, onde foram conduzidos exercícios de observação aérea durante a execução de tiros de artilharia. Vale destacar um fato curioso: as aeronaves utilizadas nessa fase inicial de treinamento eram os monoplanos asa baixa Fairchild PT-19, que não possuíam cabine fechada nem rádio de bordo. Este último equipamento, no entanto, seria absolutamente essencial para a execução das missões reais no teatro de operações europeu, uma vez que a comunicação por rádio era fundamental para a correção e coordenação do fogo de artilharia em combate.  A esquadrilha era composta por 35 militares  entre pilotos, mecânicos e pessoal de apoio  que embarcaram rumo à Itália em 22 de setembro de 1944, juntamente com o 2º e o 3º escalões . A travessia do Atlântico foi realizada a bordo de navios de transporte de tropas da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). A esquadrilha embarcou para a Itália em setembro de 1944 e chegou a Nápoles em 6 de outubro, seguindo posteriormente para a região de Pisa. Em San Rossore, os brasileiros receberam seus 10 L-4H desmontados, cabendo aos mecânicos brasileiros sua montagem, com as aeronaves recebendo matrículas "FAB 01 a 10". Suas superfícies superiores eram pintadas em verde (olive drab), enquanto as inferiores utilizavam cinza (neutral gray).  Posteriormente, receberam elementos de identificação, incluindo as cores verde e amarela no leme e as estrelas da Força Aérea Brasileira (FAB) nas laterais da fuselagem, mantendoa as marcações originais nas asas, por razões de identificação visual pelas forças aliadas, evitando possíveis incidentes de fogo amigo. 
A partir de novembro de 1944, começaram efetivamente os voos de adaptação e treinamento em território italiano, com sua primeira missão real ocorrendo no dia 13 do mesmo mês . A partir desse momento, a esquadrilha passou a executar voos praticamente diários em apoio direto às unidades de artilharia brasileiras, atuando ao longo da chamada Linha Gótica, um dos principais sistemas defensivos alemães no norte da Itália. A principal missão da 1ª ELO era realizar observação aérea e regulagem do tiro de artilharia. Na prática, o procedimento exigia que o  L-4H voasse sobre ou nas proximidades da linha de frente, enquanto o observador identificava posições inimigas, movimentações de tropas, veículos, depósitos de munição, posições de artilharia e outros alvos de interesse. Uma vez identificado o objetivo, o observador transmitia as informações ao sistema de controle da Artilharia Divisionária. A partir dessas informações, as baterias em terra iniciavam o tiro e o observador acompanhava a queda dos projéteis. Caso os disparos não atingissem o ponto desejado, transmitia correções sucessivas, permitindo deslocar o ponto de impacto até que a artilharia estivesse devidamente ajustada sobre o alvo. Esse procedimento, conhecido como regulagem de tiro, transformava o pequeno Piper L-4H em uma verdadeira extensão dos olhos da artilharia. Seu poder estava na informação que conseguia produzir e transmitir em tempo quase real. A eficiência desse sistema dependia de uma combinação entre o piloto, o observador e as baterias de artilharia. O piloto precisava manter a aeronave em uma posição que permitisse ao observador enxergar o terreno, ao mesmo tempo em que evitava permanecer demasiadamente exposto ao fogo inimigo. O observador, por sua vez, precisava identificar corretamente os alvos e interpretar rapidamente a queda dos projéteis. As informações eram então transmitidas às unidades de artilharia para que os disparos subsequentes fossem corrigidos. A missão era particularmente perigosa porque o L-4H era lento, desarmado e praticamente desprovido de proteção. Ao contrário dos caças e bombardeiros empregados no conflito, o pequeno avião não dispunha de armamento defensivo capaz de enfrentar aeronaves inimigas ou posições antiaéreas. Sua proteção dependia essencialmente de sua pequena dimensão, baixa velocidade, manobrabilidade e capacidade de operar em baixas altitudes. Ainda assim, voar sobre as linhas alemãs significava estar sujeito ao fogo das armas antiaéreas, inclusive da conhecida Flak (Fliegerabwehrkanone). Apesar desses riscos, nenhum dos aviões foi abatido, um resultado notável que refletia tanto a habilidade e a prudência dos pilotos brasileiros. Eventualmente eram operados em missões de ligação, transporte de malas postais entre as unidades e evacuações aeromédicas emergenciais, operando a partir de campos improvisados próximos à linha de frente.

As condições meteorológicas acrescentavam outro fator de risco. Durante o inverno de 1944–1945, a região dos Apeninos apresentou temperaturas extremamente baixas, neve, gelo, neblina e condições de visibilidade bastante difíceis. O pequeno motor Continental de 65 hp também sofria com as baixas temperaturas. Há registros de formação de gelo na região do carburador, ocasionando perda temporária de potência ou mesmo parada do motor durante o voo. Nessas situações, os pilotos precisavam entrar em planeio e procurar altitudes mais baixas, onde o gelo pudesse desaparecer e permitir a retomada do funcionamento do motor. Os L-4H operavam a partir de pequenos campos preparados nas proximidades das unidades apoiadas. Algumas pistas eram pouco mais que áreas niveladas e compactadas, permitindo pousos e decolagens, ainda assim,  manteve-se um elevado nível de eficiência operacional. Essa mobilidade era essencial porque a 1ª ELO precisava acompanhar o avanço da FEB. À medida que as unidades terrestres avançavam, a esquadrilha deslocava seus aviões e sua infraestrutura para campos mais próximos da nova linha de contato. A sequência de bases utilizadas demonstra claramente essa característica. Depois de San Rossore, a unidade operou a partir de San Giorgio, na região de Pistóia; Suviana; Porretta Terme; Montecchio Emilia; Piacenza; Portalbera e Bergamo, acompanhando progressivamente o avanço das forças aliadas para o norte da Itália. Estiveram presentes em praticamente todas as principais operações ofensivas. Seus voos de observação e regulagem de tiro ocorreram durante as operações relacionadas a Monte Castello, Belvedere, Della Torraccia, Montese, Monte Buffone, Montello, La Serra e Collecchio, entre outras ações realizadas durante o avanço brasileiro na Itália. Em Monte Castello, por exemplo, a observação aérea era particularmente importante devido à natureza montanhosa do terreno. As posições alemãs encontravam-se espalhadas por elevações, encostas e áreas de difícil observação a partir do solo. A aeronave permitia ao observador obter uma visão privilegiada do campo de batalha e auxiliar a artilharia na localização e correção dos alvos. Além da regulagem de tiro, os L-4 realizavam reconhecimento e observação das linhas inimigas. Seus tripulantes procuravam identificar deslocamentos de tropas, comboios, concentrações de veículos, posições de artilharia e depósitos de munições. Essas informações eram transmitidas aos centros de controle e contribuíam para a elaboração e execução das operações terrestres. A esquadrilha realizou regulagem de tiro também para unidades de artilharia do V Exército dos Estados Unidos e do 8º Exército Britânico, demonstrando que sua atuação estava integrada ao sistema de apoio aéreo e de artilharia das forças aliadas no Teatro de Operações Italiano. Durante a Campanha da Itália, a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, acumulou aproximadamente 1.654 horas de voo, 682 missões de guerra e mais de 400 regulagens de tiro de artilharia.
Embora as operações de combate tivessem chegado ao fim, ainda havia a necessidade de manter uma estrutura mínima de comunicações, ligação e apoio às unidades que permaneciam em território italiano. Nesse contexto, a 1ª ELO continuou operando, em 4 de maio de 1945, a esquadrilha transferiu suas operações para Piacenza. Na semana seguinte, deslocou-se para Portalbera, nas proximidades de Milão, e, posteriormente, em 12 de junho, estabeleceu-se em Bérgamo. A trajetória da 1ª ELO chegaria ao fim em 14 de junho de 1945, ainda em território italiano, a unidade foi oficialmente desativada por meio de boletim da Artilharia Divisionária. Seus integrantes foram incorporados ao efetivo do 1º Grupo de Aviação de Caça. O retorno dos militares brasileiros ao país teve início em 6 de julho de 1945, quando embarcaram no navio de transporte de tropas USS General M. C. Meigs (AP-116), que deixou o porto de Nápoles com destino ao Rio de Janeiro. Os Piper L-4H utilizados pela esquadrilha, entretanto, seguiram outra rota. Desmontadas, as aeronaves foram posteriormente transportadas para o Brasil a bordo de um navio da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Após sua chegada ao Rio de Janeiro, foram encaminhadas ao Depósito Central de Armamentos do Exército Brasileiro, onde permaneceram armazenadas. Paralelamente, outro exemplar, o Piper L-4-PI, teve trajetória distinta, sendo transferida para a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer), embora  destinada a atividades de instrução em solo, há indícios de que o aparelho tenha sido mantido em condições de voo.  Entre 1954 e 1955, os 10 L-4H  foram redescobertas nos depósitos militares, sendo remontadas e novamente colocadas em condições de voo. Após a recuperação, receberam cocares e matrículas do Exército Brasileiro, voltando a voar , ainda que por um período relativamente curto. Com a reativação da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, em 12 de dezembro de 1955, decidiu-se pela transferência dessas aeronaves para a Força Aérea Brasileira (FAB). Inicialmente, três L-4 foram recuperados e colocados em condições de voo. Posteriormente, outros exemplares foram ativados, ampliando a capacidade operacional. Em abril de 1957, o Piper L-4-PI anteriormente empregado pela Escola de Especialistas da Aeronáutica foi incorporado à frota, completando o núcleo de aeronaves disponíveis. A incorporação do Cessna L-19 Bird Dog, no final da década de 1950, marcou uma mudança significativa nesse processo. Em 1958, as células remanescentes dos L-4 foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PqAerAF) e, no ano seguinte, excluídas da carga do Ministério da Aeronáutica. Nove dessas aeronaves foram posteriormente transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que as destinou a diferentes aeroclubes.  O Piper L-4H FAB 05, destinado à preservação histórica, sendo restaurado nas cores e marcações utilizadas durante sua participação na Campanha da Itália.

Em Escala.
Para representarmos o Piper L-4H "FAB 09", fizemos uso kit do fabricante Hobbycraft (o modelo mais próximo seria o Smer) na escala 1/48, sendo necessário alterar a disposição das janelas laterais traseiras e também o teto, processo este facilmente executável pois as duas metades da fuselagem são injetadas em plástico transparente, bastando conformar as mesmas com fita adesiva. Os decais foram obtidos do set, presente no livro " Força Aérea Brasileira, na Segunda Guerra Mundial " de Luciano B. Monteiro & Sandro Dinarte, Editora Adler.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado e todas as aeronaves Piper L-4H Grasshoper em serviço na Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) a durante a Segunda Guerra Mundial, durante este período as aeronaves operaram com marcações brasileiras e americanas, no pós-guerra este padrão foi acrescido das cores nacionais na cauda tanto na Força Aérea Brasileira (FAB) quanto no Exército Brasileiro sendo este mantido até o final de sua carreira operacional no final da década de 1950.
Bibliografia :
- Piper J-3 Cub   Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Piper_J-3_Cub
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Os Olhos dos Pracinhas, por Ricardo Bonalume Neto - Revista Força Aérea nº 03
- Olho Nele - 2º Ten QOCon His Daniel Evangelista Gonçalves
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  por Jackson Flores Junior