Guarani MR 6x6 IFV (VBC Fuz)

História e Desenvolvimento.
A operação de veículos blindados sobre rodas no Brasil, teve seu início durante a Segunda Guerra Mundial, quando foram recebidos os primeiros carros T-17  e M-8, cabendo a este último a experiência de operação em combate real pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália. Logo no pós-guerra o emprego deste tipo de blindado sobre rodas seria ampliado nas unidades mecanizadas brasileiras, devido ao recebimento de mais viaturas blindadas sobre rodas dos modelos M-8 e M-20. A necessidade de manutenção da operacionalidade e extensão da vida útil desta frota resultaria durante a década de 1960, nos primeiros esforços de modernização a atualização destas viaturas que gerariam o primeiro embrião da indústria de defesa nacional.  Neste contexto o desenvolvimento dos projetos das viaturas blindadas CRR (Carro de Reconhecimento sobre Rodas) e CTRA (Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio) durante a década de 1970 seriam potencializadas pelo movimento de reorganização promovido, que ensejaria na criação da "nova cavalaria mecanizada". De acordo com esta sistemática todas as brigadas deveriam ter ao menos um esquadrão de cavalaria mecanizada para emprego em tarefas reconhecimento e segurança, também seriam formados regimentos inteiros de cavalaria mecanizada formando, juntamente com a cavalaria blindada, suas próprias brigadas de cavalaria mecanizada. A cavalaria mecanizada "leve" deveria operar de forma descentralizada em grandes distâncias, operando  em estradas pavimentadas ou não, trafegando primordialmente em alta velocidade. Para isto seriam necessários veículos leves e ágeis que renunciariam ao grande poder de fogo e blindagem em detrimento a mobilidade.  Neste contexto seriam incorporados nos novos veículos blindados EE-9 e EE-11, operando em conjunto nos pelotões de cavalaria mecanizada, complementando um ao outro. Suas semelhanças de projeto e alta compatibilidade de componentes (muitos deles oriundos da indústria automotiva) facilitariam a cadeia logística e processos de manutenção. A introdução destes dois modelos traria uma capacidade de mobilidade do campo de batalha jamais atingida, representando regionalmente no contexto da América do Sul, uma ferramenta de projeção de poder e dissuasão. No entanto o passar dos anos logo traria o eminente desgaste operacional, levando ao registro de baixos indícios de disponibilidade, com este cenário sendo agravado pela decretação de falência da Engesa S/A em 1994. Neste momento se fazia necessário tomar ações que pudessem restabelecer a capacidade operativa dos Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec), sendo descartado inicialmente a substituição destes blindados por modelos mais modernos importados. A solução lógica para esse cenário conduziu à implementação de um amplo programa de repotenciamento e modernização da frota, iniciativa liderada pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), que buscou estabelecer parcerias com empresas privadas.

Em 1996, esse esforço recebeu a denominação oficial de Programa de Manutenção de 5º Escalão de Viaturas Blindadas sobre Rodas, mais conhecido como Projeto Fênix, abrangendo a modernização de 204 viaturas blindadas de reconhecimento EE-9  e de um número semelhante de blindados de transporte de pessoal EE-11. Embora o programa tenha alcançado resultados satisfatórios, proporcionando um sensível aumento da vida útil e da disponibilidade operacional dessas viaturas, ficou evidente que se tratava apenas de uma solução transitória. Os projetos básicos dos EE-9  e EE-11 remontavam à década de 1970 e haviam sido concebidos para um ambiente estratégico completamente distinto daquele existente ao final do século XX. Dessa forma, apresentavam um crescente grau de obsolescência diante das novas ameaças e dos modernos cenários de combate, caracterizados por conflitos assimétricos, operações urbanas e pelo emprego disseminado de armamentos anticarro portáteis e artefatos explosivos improvisados (IED). Essas limitações tornaram-se  evidentes durante o emprego operacional em missões de paz conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), inicialmente em Moçambique e Angola, na década de 1990, posteriormente na República Democrática do Congo e, sobretudo, durante a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017. Nessas operações, desenvolvidas predominantemente em ambientes urbanos e de elevada complexidade, verificaram-se deficiências relacionadas principalmente ao reduzido nível de proteção balística e antiminas, à limitada consciência situacional proporcionada aos tripulantes e às restrições para a integração de modernos sistemas de comando, controle e comunicações. Em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Defesa (PND) e pela Estratégia Nacional de Defesa (END), o Exército Brasileiro iniciou um amplo processo de modernização  abrangendo não apenas a renovação dos meios materiais, mas também a atualização doutrinária. Nesse contexto foi estruturado o Portfólio Estratégico do Exército (Port EE), responsável por reunir os diversos Programas Estratégicos do Exército (Prg EE), destinados à execução de projetos de médio e longo prazo voltados à modernização da Força Terrestre. Entre as iniciativas prioritárias destacava-se o desenvolvimento de uma nova família de viaturas blindadas sobre rodas, concebida para substituir progressivamente os veteranos EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu. A concepção desse programa incorporou diretamente as lições operacionais obtidas durante as missões internacionais de paz, privilegiando elevados níveis de proteção balística e antiminas, maior mobilidade tática, elevada capacidade de integração eletrônica e modularidade construtiva. Assim, ao final da década de 1990, o Exército Brasileiro elaborou o documento de requisitos operacionais básicos (ROB nº 09/99), estabelecendo as especificações para uma nova família de viaturas blindadas anfíbias sobre rodas.

Previa-se uma plataforma modular de configuração 6×6, capaz de receber diferentes sistemas de armas, sensores e equipamentos eletrônicos, permitindo o desenvolvimento de diversas versões especializadas sobre um mesmo chassi. Neste contexto  figuravam viaturas de transporte de pessoal, reconhecimento, posto de comando, ambulância, socorro e recuperação, apoio de fogo, porta-morteiro, defesa antiaérea e combate de infantaria, podendo ser equipadas com metralhadoras pesadas, canhões automáticos de 30 mm, morteiros e lançadores de mísseis. A padronização de componentes mecânicos e eletrônicos  reduziria significativamente os custos de operação e manutenção, ao mesmo tempo em que facilitaria a evolução tecnológica ao longo de seu ciclo de vida. Além disso deveria incorporar sistemas de proteção QBRN (química, biológica, radiológica e nuclear), blindagem modular, elevada resistência antiminas, arquitetura eletrônica digital e modernos sistemas de comando e controle, características indispensáveis para sua atuação nos conflitos contemporâneos. Em 12 de abril de 2007 seria lançada a  solicitação formal às empresas Agrale S/A, Avibras S/A, EDAG Ltda, Fiat - Iveco do Brasil S/A e IESA que elaborassem propostas financeiras. A seguir seria deflagrada uma licitação para o programa denominado como  NFMBR (Nova Família de Blindados Médios de Rodas). Em 21 de dezembro deste mesmo ano, seria assinado em Brasília um acordo entre o Exército Brasileiro e a divisão da Fiat - Iveco S/A, para o início da construção de um protótipo, tendo em vista que a proposta apresentada  representava a melhor solução do ponto vista técnico e econômico, pesando também a experiencia da empresa na produção do blindado sobre rodas  Super AV 8x8. No dia 18 de dezembro de 2009, no Quartel-General do Exército, o General  Fernando Sérgio Galvão, Chefe do Estado-Maior do Exército, e o Presidente da Iveco do Brasil S/A , Marco Mazzu, assinaram o contrato de produção do Projeto Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - Médio sobre Rodas (VBTP-MSR), prevendo a fabricação  de 2.044 unidades. Em 2011 o protótipo do Veículo Blindado de Transporte Médio sobre Rodas Guarani 6X6, foi apresentado na LAAD Latin American Aero & Defence, no Rio de Janeiro (RJ). Em meados do ano de 2013, a  Iveco Defense Brasil S/A inauguraria na cidade mineira de Sete Lagoas, uma planta  dedicada a produção anual de 60 viaturas. Apresentaria um monobloco formado por duas longarinas na base do veículo, que abriga toda a suspensão, os elementos de transmissão com sua respectiva caixa e dois diferenciais, um dianteiro e outro traseiro. Sobre este conjunto foi montado a estrutura blindada, em forma de V capaz de resistir a minas terrestres de até 6 kg de carga. Com mais de 7,0 mts de comprimento por 2,4 mts,  com capacidade anfíbia possuiu tração 6X6, com possibilidade de trafegar tanto em terreno arenoso como em asfalto. Sua blindagem apesar de leve, seria capaz de proteger ele contra disparos de todos os tipos de projéteis em calibre 7,62X51 mm, inclusive perfurantes de blindagem e fragmentos de granadas.  

Seu assoalho seria projetado com forma em “V” para dissipar detonações de minas terrestres e IEDs (explosivos improvisados) que já causaram centenas de mortes em blindados convencionais no Iraque e Afeganistão. A capacidade de proteção NBC (nuclear, bacteriológico e químico) seria um opcional, podendo ser facilmente incorporado ao projeto. Como o projeto seguiria a tendência de praticamente todos os novos projetos em blindados, apresentaria uma modularidade que lhe seria muito útil para adaptação de placas de blindagem extra, reforçando sua capacidade a níveis bem mais resistentes, caso seja necessário, além de se poder integrar diversos armamentos de vários tipos. Em sua configuração básica a viatura seria equipada com uma metralhadora M-2 em calibre 12,7 mm, porém diversas torres controladas remotamente e armadas com metralhadoras 7,62 X 51 mm, lança granadas de 40 mm, e metralhadora pesada em calibre 12,7 mm, também poderiam instaladas facilmente no Guarani. O modelo seria habilitado para operar com uma torre UT-30BR, desenvolvida pela empresa israelense Elbit System Ltd,  que possuía um canhão de ATK de 30 mm, uma metralhadora coaxial de 7,62X51 mm e um sensor óptico para uso do comandante do veículo e outro para o artilheiro. Além disso, há sistemas de defesas como um alerta de laser LWS que avisa o comandante quando o veículo estiver sendo iluminado por um designador de alvos a laser.  Com a finalidade de atender às exigências, e também em função dos custos, optou-se por incorporar ao projeto o maior número possível de componentes que já existissem no mercado automotivo de caminhões (com modelo atingindo um índice de nacionalização de 90%), como forma de baratear a manutenção e ao mesmo tempo manter um veículo moderno. Devido a isto, foram utilizados os elementos mecânicos dos caminhões comerciais da série Trakker 410T44/410T48  6x4, produzidos pela Iveco do Brasil S/A. O monobloco também faria uso de componentes comuns a este caminhão, empregando ainda o mesmo motor FPT Industrial Cursor 9F2C de 383 cv fabricado na Argentina, operando acoplado a uma transmissão automática ZF Friedrichshafen 6HP602S. Para propulsão aquática seria escolhido o conjunto Bosch Rexroth A2FM80 com duas hélices navais. Faria uso também de conjuntos pneumáticos centrais Téléflow, sistema de proteção QBN (química, biológica e nuclear) Aero Sekur, sensor de fogo automático e supressão Martec, painel digital do motorista, sistema elétrico CANBUS tipo 24V, assentos com absorção de choque, câmeras de motorista da Orlaco Products, sistema de ar-condicionado da Euroar, pneus runflat Hutchinson, eixos motrizes Dana, e caixa de transferência e suspensão da Iveco. O sistema de comando e controle seria composto por 02 rádios Harris Falcon III com GPS integrado, um intercomunicador Thales SOTAS, um computador Geocontrol CTM1-EB e software GCB (Gerenciador do Campo de Batalha), desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento de Sistemas do Exército Brasileiro. 
Seria concebido para transportar um Grupo de Combate (GC) composto por 09 militares, incluindo o comandante do grupo, além dos dois integrantes da tripulação permanente da viatura motorista e atirador. Chegou-se a ser estudada uma versão destinada às unidades de Cavalaria Mecanizada, concebida para substituir progressivamente as viaturas blindadas de reconhecimento EE-9 Cascavel. Essa versão previa o emprego de uma torre armada com canhão de 105 mm, transformando-o  em uma Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav). Entretanto revisões dos requisitos operacionais, aliadas à necessidade de maior poder de fogo, proteção e mobilidade estratégica, levaram  opção por uma solução distinta. Em 2016, o contrato original do Programa Guarani foi revisto em decorrência de restrições orçamentárias e do replanejamento da transformação da Força Terrestre. A previsão de aquisição foi reduzida para 1.580 viaturas, com entregas programadas até 2035, contemplando diversas versões especializadas. O primeiro contrato de exportação foi firmado em 2015 com o governo do Líbano, prevendo o fornecimento de 10 unidades, sendo em 2017  incorporados às Forças de Segurança Interna do Líbano (Internal Security Forces – ISF), passando a ser empregados em missões de segurança interna e garantia da ordem pública, principalmente na capital, Beirute. Em 2020 por  intermédio da Elbit Systems Ltd., o Guarani foi selecionado pelo Exército das Filipinas no âmbito do programa Light Armored Vehicle Acquisition Project. O contrato previa o fornecimento de 28 viaturas blindadas configuradas segundo os requisitos operacionais filipinos, integrando modernos sistemas eletrônicos desenvolvidos pela empresa israelense, como o sistema de gerenciamento de combate TORCH-X, rádios digitais da família E-LynX, sistema de controle de tiro e novos conjuntos optrônicos para comandante e atirador. Em julho de 2021, a República de Gana tornou-se o terceiro cliente, adquirindo 19 unidades, sendo configuradas para transporte de tropas, reconhecimento, patrulhamento de fronteiras , especialmente nas regiões limítrofes com Burkina Faso. As viaturas foram equipadas com a estação de armas remotamente controlada REMAX, desenvolvida e produzida pela Ares Aeroespacial e Defesa, agregando elevada capacidade de engajamento com maior proteção para a tripulação. Países como Argentina e Malásia manifestaram interesse  em diferentes, evidenciando o potencial de expansão das exportações. Em 2023, entretanto o governo brasileiro optou por não autorizar a exportação de  450 viaturas, configuradas principalmente na versão ambulância blindada, destinadas à Ucrânia. Avaliada em cerca de R$ 3,5 bilhões, a operação foi interrompida em razão da decisão do governo brasileiro de não fornecer equipamentos militares que pudessem ser empregados diretamente no conflito entre Ucrânia e Rússia. A medida encerrou, ao menos naquele momento, uma das maiores possibilidades de exportação da indústria de defesa, reduzindo significativamente o potencial  internacional do programa.

Emprego no Exército Brasileiro.
Em em 2010 o Estado-Maior do Exército (EME) escolheu a  15 ª Brigada de Infantaria Motorizada para ser a grande unidade precursora do processo de experimentação doutrinaria, transformando-a na 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada (15º Bda Inf Mec). O contrato para a produção do primeiro Lote de Experimentação Doutrinária (LED) foi assinado em dezembro de 2012, envolvendo 86 Guarani VBTP-MRs 6×6. A primeira viatura foi entregue em 26 de junho de 2013, ao Centro de Instrução de Blindados “General Walter Pires” (CIBld), devendo ser utilizado para especializar oficiais e sargentos na operação e manutenção do  material de emprego militar. Em agosto do mesmo ano o 2º Batalhão de Engenharia de Combate apoiaria a realização de testes na Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Guarani, executado pelo Centro de Avaliação do Exército (CAEx) e por representantes da montadora. Além do teste de transposição de curso d´água, realizado na alça do Rio Paraíba do Sul, seria efetuado um teste de Navegação em Lago, com duração de 1h30min, durante o qual puderam ser observados o desempenho na transposição, a navegação, o sistema de arrefecimento e a aceleração, entre outros. Neste meio tempo começariam a ser formados as primeiras turmas de motoristas e equipe de manutenção, prenunciando assim o breve início da operação do blindado.  As primeiras 13 viaturas seriam entregues em uma cerimônia realizada no dia 24 de março de 2014, com presença do Ministro da Defesa e do comandante do Exército Brasileiro. Foram incorporados a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, sediada em Cascavel/PR, para mobiliar uma das Companhias de Fuzileiros do 33º Batalhão de Infantaria Motorizado (BI Mec), Unidade orgânica da Brigada, que se encontrava em processo de transformação para o 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado. Deste lote 11 viaturas estariam equipadas com a torre manual Platt MR550 Bi-Metal, produzida pela empresa australiana W&E Platt Pty LTD, armada com uma metralhadora Browning calibre.50, com os dois demais carros apresentando uma tampa provisória, sendo logo apelidados de “mulas-sem-cabeça “. Estes receberiam em seguida os protótipos das torres Remax  em desenvolvimento pela Ares Aeroespacial e Defesa Ltda em parceria com a empresa  Elbit Systens Ltd. Em atendimento ao cronograma original, mais 86 viaturas seriam entregues até o final do ano de 2014, sendo distribuídos aos batalhões de infantaria de Foz do Iguaçu (PR), Apucarana (PR), Francisco Beltrão (PR) e ao Centro de Instrução de Blindados em Santa Maria (RS). Durante o período de introdução e avaliação operacional do VBTP-MR Guarani, as viaturas pertencentes ao 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado (BI Mec) foram amplamente empregadas em diversas missões realizadas no oeste do estado do Paraná. Essas operações tiveram como propósito aferir o desempenho e a confiabilidade dos veículos em condições reais de campanha, incluindo longos deslocamentos  frequentemente superiores a 200 km realizados pelos próprios meios. 

Tal prática visava testar não apenas a eficiência mecânica e o conforto da tropa. Como parte desse processo de experimentação, os blindados VBTP-MSR Guarani foram propositalmente mantidos ao relento, expostos às intempéries, de modo a avaliar sua resistência estrutural e operacional. O resultado foi considerado amplamente satisfatório: o elevado índice de disponibilidade técnica demonstrado pelas viaturas confirmava as expectativas iniciais do projeto Guarani, desenvolvido no âmbito do Programa Estratégico do Exército Brasileiro para a modernização da Força Terrestre. Entre os principais sistemas de destaque figuravam o sistema automatizado de pressurização dos pneus, que permite ajustes conforme o tipo de terreno; a suspensão independente nas seis rodas, garantindo maior estabilidade e conforto; e o sistema de ar-condicionado com filtros de proteção NBQ (nuclear, biológica e química), fundamental para operações em ambientes hostis. Além disso, o Guarani incorpora um avançado Sistema de Gerenciamento do Campo de Batalha  e um Sistema de Consciência Situacional, ambos projetados para integrar informações táticas em tempo real, elevando significativamente o nível de comando, controle e interoperabilidade das unidades mecanizadas. No aspecto ergonômico, a viatura surpreendeu pelo conforto e atenção ao bem-estar da tropa: assentos estofados, cintos de segurança de cinco pontos e um interior pintado em tom verde-claro  adotado após estudos de cromologia aplicada  substituíram o tradicional branco dos blindados anteriores. Essa escolha revelou-se acertada, reduzindo o cansaço visual e permitindo viagens prolongadas, superiores a três horas, sem causar fadiga significativa ao pessoal embarcado. O Programa VBTP-MSR (Veículo Blindado de Transporte de Pessoal - Médio Sobre Rodas) previa, em sua concepção original, o desenvolvimento de até dezessete variantes do Iveco Guarani, adaptadas a diferentes funções táticas e de apoio, entre elas: Viatura Blindada de Combate de Fuzileiro (VBC Fuz), Viatura Blindada de Reconhecimento (VBR), Viatura Blindada de Combate Morteiro Médio (VBC Mrt Me), Viatura Blindada de Combate Morteiro Pesado (VBC Mrt P), Viatura Blindada Especial de Central de Direção de Tiro (VBECDT), Viatura Blindada Especial Posto de Comando (VBEPC), Viatura Blindada Especial de Comunicações (VBE Com), Viatura Blindada Especial Socorro (VBE Soc), Viatura Blindada Especial Oficina (VBE Ofn), Viatura Blindada de Transporte Especializado Ambulância (VBTE Amb), Viatura Blindada de Reconhecimento Leve (VBR L), Viatura Blindada de Combate Anticarro - Leve de Rodas (VBC AC LR), Viatura Blindada Especial Observador Avançado - Leve de Rodas (VBE OA LR), Viatura Blindada de Combate Morteiro - Leve de Rodas (VBC Mrt LR), Viatura Blindada Especial Radar - Leve de Rodas (VBE Rdr LR) e Viatura Blindada Especial Posto de Comando - Leve de Rodas (VBEPC LR). Posteriormente seria definido o desenvolvimento final de apenas 07 versões especializadas. 
Entre estas se destacaria a Viatura Blindada de Combate de Fuzileiros (VBC Fuz), concebida para proporcionar maior poder de fogo às unidades de Infantaria Mecanizada. Essa versão seria equipada com uma torre não tripulada, armada com um canhão automático de 30 mm, representando uma evolução significativa em relação à configuração básica. Em 2008, quando foram adquiridas três torres UT30BR (Unmanned Turret 30 mm Brasil) destinadas ao programa, com o primeiro sendo concluído em janeiro do ano seguinte. Posteriormente, seriam adquiridas outras torres destinadas aos lotes de avaliação e pré-série, permitindo aprofundar os estudos relacionados à integração do armamento e à operação da nova configuração. A adaptação da UT30BR  constituiu um trabalho de elevada complexidade tecnológica. O sistema foi integrado pela AEL Sistemas, em associação com a Elbit Systems, incorporando à viatura uma arquitetura de combate que reunia sensores, sistemas de pontaria, comando de tiro e armamento em uma única estação remotamente controlada. Em junho de 2011, um protótipo do Guarani equipado com a UT30BR foi encaminhado ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), onde a torre seria instalada e integrada definitivamente à plataforma. Concluída essa etapa, o conjunto seria submetido a uma série de ensaios conduzidos pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), destinados a verificar seu desempenho e sua adequação aos requisitos estabelecidos pelo Exército Brasileiro. Um dos principais avanços proporcionados pela UT30BR estava justamente em seu conceito de torre não tripulada. Diferentemente das torres convencionais, não havia necessidade de posicionar integrantes da guarnição dentro da estrutura da torre ou expô-los diretamente ao ambiente externo para operar o armamento. O comandante e o atirador permaneciam protegidos no interior do casco do Guarani, enquanto os sistemas de observação, pontaria e disparo eram comandados remotamente por meio de uma interface semelhante a um joystick. A configuração básica do sistema compreendia o canhão automático ATK Bushmaster II Mk 44, no calibre 30×173 mm, uma metralhadora coaxial de 7,62×51 mm e um conjunto de lançadores de granadas fumígenas de 76 mm. Essa combinação proporcionava à VBC Fuz uma capacidade de engajamento significativamente superior àquela disponível na versão básica do Guarani, permitindo atuar contra diferentes categorias de alvos e oferecer apoio de fogo direto à tropa embarcada. O Bushmaster II Mk 44 empregava o princípio de funcionamento Chain Gun, de acionamento elétrico. Nesse sistema, o ciclo de funcionamento do mecanismo é realizado por uma corrente acionada por motor elétrico, não dependendo diretamente dos gases provenientes do disparo para completar o ciclo de alimentação e recarga. Essa característica contribui para a confiabilidade do armamento e facilita os procedimentos de manutenção, aspectos particularmente importantes para sua utilização em uma plataforma militar destinada a operar em condições de campo.

A torre dispunha de dois cofres de munição de 30 mm, permitindo transportar diferentes tipos de projéteis simultaneamente. Um deles comportava aproximadamente 50 cartuchos, enquanto o segundo tinha capacidade para 150 cartuchos, totalizando até 200 munições prontas para emprego. Essa configuração possibilitava ao operador selecionar diferentes tipos de munição de acordo com a natureza do alvo, sem a necessidade de realizar uma substituição completa da carga de munição. A cadência inicial de tiro do canhão era de 200 tiros por minuto, sendo o funcionamento e os parâmetros de disparo gerenciados por uma central eletrônica dedicada ao sistema de armas. O alcance efetivo depende do tipo de munição empregada, podendo atingir aproximadamente 3.000 metros com munição perfurante e cerca de 2.000 metros com de alto explosivo, conferindo à viatura uma capacidade de apoio de fogo compatível com as necessidades de uma força mecanizada moderna. Uma parte importante deste programa passa pela nacionalização da munição, 30×173 mm de Exercício Traçante (EX-T) e Alto-Explosivo Incendiário (AEI), fabricada pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). Outro componente importante da UT30BR era o sistema de alerta contra ameaças laser ELAWS (Elbit's Laser Warning System). Integrado à arquitetura eletrônica da torre, o equipamento tinha a função de detectar emissões laser potencialmente associadas a sistemas de aquisição ou designação de alvos e alertar a guarnição quanto à direção de origem da ameaça. Em uma situação de combate, uma vez identificado o alerta, o sistema poderia auxiliar na rápida reação da guarnição. O operador poderia selecionar a direção indicada pelo sistema para orientar automaticamente a torre ou realizar o direcionamento manualmente por meio dos comandos disponíveis. Essa capacidade acrescentava uma importante camada de consciência situacional e de reação às ameaças, integrando detecção, alerta e emprego do armamento em uma única arquitetura de combate. Este programa seria lastreado em um acordo firmado para a aquisição de 216 conjuntos a serem integrados as viaturas operacionais.  Para a transposição de cursos d’água (rios, lagos, etc), o Guarani armado com a UT30BR precisa receber uma modificação de campo de rápida instalação, na forma de um kit de flutuabilidade afixado ao chassis do veículo. Sem a necessidade de ferramentas especiais, e aproveitando pontos de fixação previamente existentes no chassis, é possível instalar o kit  em menos de 15 minutos, permitindo assim uma rápida transposição de obstáculos pela infantaria mecanizada e cavalaria. Esse equipamento de segurança é necessário devido ao peso extra do armamento, que totaliza  19 toneladas representando uma mudança considerável no centro de gravidade (CG) do veículo, que possui uma silhueta tida como alta. Como o motor fica disposto a frente no chassis, deslocado a direita, o carro quando navegando, sem emprego de kit de flutuabilidade, apresenta uma tendência de inclinar-se para a direita, o que reduz a velocidade do deslocamento.
Apesar dos primeiros testes terem ocorrido ainda em 2011, a formalização da configuração demorou alguns anos. Em 2023, o Exército Brasileiro publicou a Portaria EME nº 958, oficializando a UT30BR como o sistema de armas selecionado para equipar o Guarani 6×6 IFV (VBC Fuz). Neste intervalo de tempo, a evolução das ameaças  e dos sistemas de combate tornou necessária uma atualização. Em vez de desenvolver uma torre completamente nova, optou-se por aproveitar a experiência acumulada com a UT30BR e promover uma modernização profunda de seus sistemas eletrônicos, optrônicos e de controle. Em julho e 2023 foi firmado um contrato para a modernização estabelecendo o desenvolvimento da versão denominada UT30BR2. A proposta era aproveitar a estrutura e os conhecimentos acumulados com a versão inicial, reduzindo riscos tecnológicos e, simultaneamente, incorporando recursos mais modernos. A modernização concentra-se principalmente nos sistemas que permitem ao armamento localizar, acompanhar e engajar alvos, envolvendo o sistema de controle de tiro giroestabilizado; operação remota a partir do interior da viatura; sensores e componentes eletrônicos modernizados; dois módulos optrônicos independentes; monitor Full HD sensível ao toque; capacidade Hunter-Killer; sistema de detecção de ameaça laser; proteção da torre correspondente ao nível 2 da STANAG 4569 e mecanismo de redução da silhueta da torre para facilitar sua transportabilidade. Um dos aspectos mais interessantes é justamente a arquitetura de dois módulos optrônicos independentes, que amplia a capacidade de observação da guarnição e favorece a distribuição das tarefas entre comandante e atirador. A UT30BR2 também deve ser entendida dentro da mudança ocorrida no campo de batalha nos últimos anos. A disseminação de sistemas aéreos remotamente pilotados de pequeno porte, especialmente drones comerciais adaptados para emprego militar, acrescentou uma nova dimensão às ameaças enfrentadas pelas forças blindadas e mecanizadas. O desenvolvimento da nova torre avançaria de maneira concreta a partir de 2025. Em 12 de março daquele ano, representantes do Exército Brasileiro acompanharam, nas instalações da ARES, a integração do primeiro protótipo da UT30BR2 à plataforma Guarani 6×6. Entre 9 e 16 de outubro do mesmo ano, militares da Diretoria de Fabricação e do Arsenal de Guerra do Rio participaram, no CAEx, dos Testes de Aceitação de Campo do segundo protótipo da UT30BR2 integrada ao Guarani. A avaliação incluiu testes funcionais e disparos em campo. A atividade ocorreu ainda dentro do Contrato nº 01/2023-DF. Após sua aceitação e posterior contrato de produção em série, estas torres devem ser instaladas em nas viaturas Guarani MR 6x6  IFV (VBC Fuz), se tornado o primeiro blindado deste tipo a entrar em operação no Exército Brasileiro, sendo destinados as Brigadas de Infantaria Mecanizada (Bda Inf Mec), passando a fazer parte dos Pelotões de Apoio de Fogo, das Companhia de Comando e Apoio de cada Batalhão.   

Em Escala.
Para representarmos o Iveco Guarani MR 6x6  IFV (VBC Fuz) do Exército Brasileiro, fizemos uso kit 3D em resina na escala 1/35 fabricado pela Blindados SGM, que apresenta excelente nível de impressão. Salientamos que optamos por incluir detalhamentos que nao acompanham originalmente o modelo, sendo confeccionados em scratch build . Empregamos decais oriundos do set original de um kit em resina produzido pela Oficina do Aquino, que que permite representar diversas viaturas. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de camuflagem tático  em dois tons adotado por todos os veículos blindados em uso no Exército Brasileiro, com este esquema passando a ser empregado a partir do ano de 1983.  Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Phoenix Special Colors.

Bibliografia : 

- Projeto Guarani, a Retomada do Desenvolvimento de Blindados Militares no Brasil - www.redectidc.com.br 

- Tecnologia e Defesa por Paulo Roberto Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br/ 

- LAAD 2015: Guarani com blindagem passiva UFF por  Roberto Caifa - https://tecnodefesa.com.br/ 

- VBTP-MR Guarani – Torre UT-30BR - www.defesanet.com.br/terrestre/vbtp-mr-guarani-torre-ut-30br/#google_vignette

- Entregue as duas primeiras UT30BR2 - https://tecnodefesa.com.br/entregue-as-duas-primeiras-ut30br2/

- VBTP-MR Guarani Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/VBTP-MR_Guarani